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domingo, 28 de fevereiro de 2010

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28/02/2010 - 03h30
Penitenciárias de São Paulo estão superlotadas; veja lista
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da Folha de S.Paulo

Na Penitenciária 3 de Franco da Rocha, mais de 1.500 presos estão amontoados em um local onde só cabem 600. A água é racionada --só dura três horas por dia. São 72 celas, pouco ventiladas, quase sem iluminação e superlotadas, com até 50 homens em um espaço de 20 metros quadrados.

Essa situação não é incomum, como revela reportagem da Folha publicada hoje. Em São Paulo, das 72 penitenciárias de regime fechado, só quatro não estão superlotadas --Avaré 1, Araraquara, Presidente Venceslau 2 e a de segurança máxima de Presidente Bernardes.

No Estado, há quase um terço da população carcerária do país: 158 mil detentos e 99 mil vagas. Veja a lista de penitenciárias lotadas:
Unidade prisional Capacidade População Acima da capacidade
Penitenciária Feminina da Capital - São Paulo 251 783 3,119521912
Penitenciária "Dr. Antonio de Souza Neto" - Sorocaba II 500 1368 2,736
Penitenciária III de Franco da Rocha 600 1540 2,566666667
Penitenciária de Hortolândia I 538 1377 2,559479554
Penitenciária "Tarcizo Leonce Pinheiro Cintra" - Tremembé I 538 1310 2,434944238
Penitenciária de Marília 500 1194 2,388
Penitenciária "Dr. Walter Faria Pereira de Queiroz" - Pirajuí I 500 1190 2,38
Penitenciária "Dr Antonio de queiroz Filho" - Itirapina I 210 463 2,204761905
Penitenciária "João Batista de Arruda Sampaio" - Itirapina II 852 1815 2,13028169
Penitenciária de Assis 500 1035 2,07
Penitenciária "Dr. Eduardo de Oliveira Vianna" - Bauru II 646 1287 1,992260062
Penitenciária "Dr. Alberto Brocchieri" - Bauru I 646 1236 1,913312693
Penitenciária Feminina "Santa Maria Eufrásia Pelletier" - Tremembé 100 189 1,89
Penitenciária "Luiz Gonzaga Vieira" - Pirajuí II 852 1583 1,857981221
Penitenciária São Bernardo Campinas/Penitenciária Feminina Campinas 528 977 1,850378788
Penitenciária "Dr. Danilo Pinheiro" - Sorocaba I 210 387 1,842857143
Penitenciária "Jairo de Almeida Bueno" - Itapetininga I 804 1468 1,825870647
Penitenciária "Joaquim de Sylos Cintra" - Casa Branca 852 1553 1,822769953
Penitenciária - Itapetininga II 804 1462 1,81840796
Penitenciária "Odete Leite de Campos Critter" - Hortolândia II 804 1441 1,792288557
Penitenciária "Orlando Brando Filinto" - Iaras 792 1394 1,76010101
Penitenciária "Desembargador Adriano Marrey" - Guarulhos II 1200 2111 1,759166667
Penitenciária Compacta de Guareí I 768 1347 1,75390625
Penitenciária II de Balbinos 768 1346 1,752604167
Penitenciária "Rodrigo dos Santos Freitas" de Balbinos I 768 1329 1,73046875
Penitenciária "Osiris Souza e Silva" - Getulina 792 1367 1,726010101
Penitenciária II de Potim 768 1315 1,712239583
Penitenciária I de Potim 768 1313 1,709635417
Penitenciária de Ribeirão Preto 792 1340 1,691919192
Penitenciária "Valentim Alves da Silva" - Álvaro de Carvalho 792 1324 1,671717172
Penitenciária Compacta de Avanhandava 768 1278 1,6640625
Penitenciária "Mario de Moura Albuquerque" - Franco da Rocha I 852 1411 1,656103286
Penitenciária "Nilton Silva" - Franco da Rocha II 852 1399 1,642018779
Penitenciária Compacta de Guareí II 768 1252 1,630208333
Penitenciária II de Serra Azul 768 1239 1,61328125
Penitenciária "Tacyan Menezes de Lucena" de Martinópolis 792 1219 1,539141414
Penitenciária Compacta de Dracena 768 1164 1,515625
Penitenciária Compacta de Lavínia I 768 1161 1,51171875
Penitenciária "Joaquim Fonseca Lopes" de Parelheiros 756 1128 1,492063492
Penitenciária Compacta de Irapuru 768 1145 1,490885417
Penitenciária "João Batista de Santana" - Riolândia 792 1179 1,488636364
Penitenciária "Cabo PM Marcelo Pires da Silva" - Itaí 792 1170 1,477272727
Penitenciária de Mirandópolis II 804 1187 1,476368159
Penitenciária Compacta de Lavínia III 768 1133 1,475260417
Penitenciária Compacta de Lavínia II 768 1116 1,453125
Penitenciária "Nelson Marcondes do Amaral" - Avaré II 852 1219 1,430751174
Penitenciária de Pracinha 768 1089 1,41796875
Penitenciária de Osvaldo Cruz 672 947 1,40922619
Penitenciária I de Serra Azul 768 1076 1,401041667
Penitenciária Compacta de Tupi Paulista 768 1070 1,393229167
Penitenciária de Lucélia 792 1091 1,377525253
Penitenciária Compacta de Paraguaçu Paulista 768 1045 1,360677083
Penitenciária de Presidente Prudente 630 852 1,352380952
Penitenciária Valparaíso 792 1068 1,348484848
Penitenciária de Junqueirópolis 792 1067 1,347222222
Penitenciária de Pacaembu 792 1055 1,332070707
Penitenciária "José Parada Neto" - Guarulhos I 804 1052 1,308457711
Penitenciária "Odon Ramos Maranhão" - Iperó 1218 1562 1,282430213
Penitenciária "João Augustinho Panucci" de Marabá Paulista 768 947 1,233072917
Penitenciária "Ten. PM José Alfredo Cintra Borin" de Reginópolis I 768 907 1,180989583
Penitenciária "Nestor Canoa" - Mirandópolis I 1173 1365 1,163682864
Penitenciária Feminina Sant'Ana 2400 2701 1,125416667
Penitenciária de Andradina 792 887 1,119949495
Penitenciária de Presidente Bernardes 538 583 1,083643123
Penitenciária Feminina "Dra. Maria Cardoso de Oliveira" - Butantã - São Paulo 620 671 1,082258065
Penitenciária de Presidente Venceslau I 725 750 1,034482759
Penitenciária "Dr. Paulo Luciano Campos" RDD/Regime Comum - Avaré I 520 438 0,842307692
Penitenciária "Dr. Sebastião Martins Siqueira" - Araraquara 1008 834 0,827380952
Penitenciária "Maurício Henrique Guimarães Pereira" - Venceslau II 1248 818 0,655448718
Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes 160 35 0,21875

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Altamiro Borges: Serra quer “internar” o rejeitado FHC

A doentia vaidade de FHC, o rejeitado ex-presidente, não tem cura mesmo. Ou ele é rapidamente internado ou vai acabar enterrando de vez a candidatura do tucano José Serra. Pesquisas indicam que cada vez que ele abre a boca, o governador paulista perde alguns pontos nas pesquisas.

Por Altamiro Borges, em seu blog

Até a Folha de S.Paulo pede, em tom desesperado, que o “príncipe da Sorbonne” se finja de morto para não atrapalhar os planos da oposição neoliberal-conservadora. Já José Serra foge como diabo da cruz de uma disputa sucessória baseada em comparações entre os governos FHC e Lula.

Mas não tem jeito. FHC não se contém. Em artigo no jornal O Globo, intitulado “Sem medo do passado”, ele voltou a fazer suas comparações desastradas. “Esqueceu-se [Lula] dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro”, jactou-se, esquecendo-se que o Copom registra recorde de queixa contra as operadoras privadas de telefonia. Ele ainda se gabou da privatização da Vale, exatamente na semana que esta empresa causou abalo na Bovespa. E, na maior caradura, esta marionete dos rentistas acusou Dilma Rousseff de ser manipulada por Lula.

“Fernando Henrique precisa de amigos”

Poucos dias depois, já nos EUA, o ex-presidente colonizado voltou a estrebuchar. Em entrevista ao jornal Miami Herald, controlado pela máfia cubana de extrema-direita, ele radicalizou os seus ataques – agravando a insônia do notívago José Serra. FHC rotulou a ministra de “autoritária” e “dogmática” e disse que “o coração da Dilma está mais para a esquerda”. O entrevistador Andres Oppenheimer, um fascista convicto que odeia Hugo Chávez, “o líder da corrente dos narcisistas-leninistas”, e que adora o presidente narcoterrorista Álvaro Uribe, quase foi ao orgasmo!

Diante de tantas besteiras, o jornalista Gilson Caroni sugeriu maior compreensão para com FHC. “Afinal, deve ser duro para quem esteve no poder durante oito anos, constatar que o resto do mundo político não reconhece sua importância... Somente os exércitos de colunistas destacados pelas famílias que controlam os meios de comunicação garantem a sua vida política vegetativa... As palavras do ex-presidente devem ser vistas como movimentos de descompressão da realidade. Quando, a partir da melancolia e solidão da maturidade, um ator político faz a volta à infância, o ridículo se apodera do cenário. Fernando Henrique precisa de amigos”, ironizou na Carta Maior.

Camisa de força para o ex-presidente

Sem ironias e, talvez, mais preocupado, Janio de Freitas, o colunista da Folha, também lamentou as recentes besteiras de FHC. No artigo intitulado “nos ombros de Serra”, ele alerta que a postura agressiva do ex-presidente somente prejudica a candidato tucano. “Por mais que Lula avisasse do seu desejo pelo confronto plebiscitário com o PSDB, ainda assim Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Guerra, presidente do partido, e Tasso Jereissati caíram na esparrela — e quem vai pagar outra vez por ideias que nunca teve é José Serra”. Para ele, a disputa polarizada deixa “o governo Fernando Henrique sem condições reais de comparação” — ele perde em todos os quesitos.

A vida do presidenciável José Serra realmente não está fácil. O seu “vice-careca”, o governador José Roberto Arruda, passou o carnaval numa cela da Polícia Federal de Brasília. O outro vice, o governador mineiro Aécio Neves, preferiu tomar chá de sumiço. Seu capacho na capital paulista, o prefeito demo Gilberto Kassab, afundou nas enchentes e despenca nas pesquisas. O tal “choque de gestão” de José Serra coleciona apagões elétricos, mortes nas enchentes, recordes de violência e outros desgraceiras. E o patético FHC continua abrindo a boca. Que tal uma camisa de força?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Categoria: politica, economia e sociedade
 Escrito por jgalvino às 09h48
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21/02/2010


21/02/2010 - 07h05
Veja cronologia da vida de Dilma Rousseff
Fernando Rodrigues
Em Brasília
Do nascimento em Belo Horizonte a ter sido nomeada oficialmente
pré-candidata presidente no 4º Congresso Nacional do PT, veja os
principais fatos da vida de Dilma Rousseff. Todas as datas e nomes
foram checados com a própria Dilma Rousseff e com sua assessoria.

COBERTURA POLÍTICA
Veja mais notícias sobre política no blog de Fernando Rodrigues

LEIA MAIS

14.dez.1947
Nasce em Belo Horizonte (MG) Dilma Vana Rousseff, filha de Pétar
Russév (Pedro Rousseff), búlgaro naturalizado brasileiro, e de Dilma
Jane Silva, nascida em Friburgo (RJ), mas radicada em Uberaba (MG). É
a segunda filha do casal. O primeiro foi Igor, nascido em janeiro do
mesmo ano.

1951
Nasce a caçula da casa, Zana.


"Dilma fica até abril no governo", diz ministro
Dilma não é candidata "tampão", diz Lula

1952
Ingressa na pré-escola no colégio Isabela Hendrix.

1955
Aos 7 anos, Dilma é matriculada na 1ª série do Colégio Nossa Senhora
de Sion, em Belo Horizonte.

A infância de Dilma Rousseff

Veja as fotos


1962
Morre Pedro Roussef, quando Dilma tinha 14 anos.

1964
Aos 16 anos, presta concurso e começa no Colégio Estadual Central
(hoje Escola Estadual Governador Milton Campos), na 1ª série do curso
clássico de "Ciências Sociais".

Começa a militar como simpatizante na Organização Revolucionária
Marxista - Política Operária, conhecida como Polop.

Em 31 de março, golpe de Estado instaura no Brasil uma ditadura militar.

1967
Faz vestibular e começa na Face (Faculdade de Ciências Econômicas) da UFMG.

Na primeira semana de aula, faz campanha e ajuda a eleger como o
representante da turma do 1º ano José Aníbal (hoje deputado federal
pelo PSDB de São Paulo). Dilma e Aníbal militavam juntos na Polop.

Em setembro, aos 19 anos, casa-se no civil com Cláudio Galeno Linhares
(jornalista, nascido em 1942 e na Polop desde 1962).

Polop se divide entre defender a luta armada ou combater a ditadura
por meios pacíficos. Dilma adere ao Comando de Libertação Nacional
(Colina), a favor de ações armadas.


A trajetória da ministra em fotos

1968
Ditadura baixa em 13 de dezembro o Ato Institucional nº 5, fechando
ainda mais o regime.

Dilma e Galeno passam a dormir em locais diferentes para despistar policiais.

1969
Em janeiro, edifício no qual vive com o marido no centro de Belo
Horizonte é cercado por viaturas do Dops, em Belo Horizonte. Dilma e
Galeno conseguem escapar.

Passa a viver na clandestinidade. Usa vários codinomes: Luiza, Wanda,
Estela, Marina, Maria e Lúcia, entre outros.

Abandona o curso de economia na Face. Vai de ônibus para o Rio. Galeno
também, separadamente.

Em março, Galeno vai para o Rio Grande do Sul. A distância acelera o
fim do casamento. A separação é formalizada em uma viagem de Dilma a
Porto Alegre.

Começa a namorar e a morar junto com o advogado gaúcho Carlos Franklin
Paixão de Araújo, militante de esquerda como ela.

Em encontros secretos realizados em Mongaguá (litoral de SP), na
metade do ano, Colina e VPR (Vanguarda Popular Revolucionária),
liderada por Carlos Lamarca, decidem se unir. Formam a Vanguarda
Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Dilma participa do
encontro. Seu já então marido, Carlos Araújo, também está presente e é
eleito um dos dirigentes da nova organização.

Em julho, a VAR-Palmares executa sua ação mais ousada: o roubo do
"cofre do Adhemar". O cofre que teria pertencido ao ex-governador de
São Paulo Adhemar de Barros e era guardado na casa de Anna
Capriglione, no bairro de Santa Tereza, no Rio. Há controvérsia sobre
o valor encontrado dentro do cofre, que teria variado de US$ 2,4
milhões a US$ 2,8 milhões (em valores de hoje, de US$ 14 milhões a US$
16,4 milhões).

Dilma nega ter participado dessa operação. Segundo Dilma, ela era da
direção da VAR, mas não participou do planejamento nem da ação. Sabia
que uma ação ia ocorrer, mas não sabia qual, e que após a operação não
se fariam mais ações armadas.

Dilma faz treinamento de uso de armas, por cerca de duas semanas, em
uma fazenda no Uruguai, próxima à fronteira com o Brasil.

Em setembro de 1969, menos de quatro meses depois de sua criação, a
VAR-Palmares sofre um racha. Volta a existir a VPR, com Lamarca. Do
outro lado ficam Dilma e Carlos Araújo, numa VAR-Palmares disposta a
fazer ações políticas e menos guerrilha.

Em outubro, a mando da direção da VAR, muda-se do Rio para São Paulo.

1970
Em 1º de janeiro, o ex-marido Cláudio Galeno participa do sequestro de
um avião em Montevidéu, no Uruguai, e refugia-se em Cuba.

Presa em 16 de janeiro, em São Paulo. Fica detida na Oban (Operação
Bandeirantes), onde é torturada. Depois, é enviada ao Dops. É
condenada em 3 Estados. Em São Paulo, a condenação foi de 4 anos; no
Rio, de 1 ano e 1 mês; em Minas Gerais, de 1 ano. O total das penas
foi de 6 anos e 1 mês de prisão e a cassação por dez anos dos direitos
políticos.

Em julho, Carlos Araújo é preso.

1972
Consegue redução de pena no STM (Superior Tribunal Militar) porque os
3 processos diziam respeito à mesma acusação. Sai da prisão no fim do
ano.

1973
Passa breve temporada em Belo Horizonte, na casa da mãe. Depois,
muda-se para Porto Alegre. Mora na casa dos sogros, Afrânio (advogado
trabalhista) e Marieta Araújo, e depois aluga um apartamento.

Passa a visitar semanalmente o marido Carlos Araújo, que ainda cumpria
pena no presídio da ilha, em Porto Alegre.

Começa a fazer cursinho pré-vestibular. Os dois anos de economia
cursados em Belo Horizonte não poderiam ser aproveitados, pois a UFMG
jubilou os alunos envolvidos na militância de esquerda, anulando todos
os créditos.

1974
Entra para a faculdade de Ciências Econômicas, na UFRGS (Universidade
Federal do Rio Grande do Sul).

Carlos Araújo é libertado em junho.

1975
Começa a trabalhar na FEE (Fundação de Economia e Estatística), órgão
do governo gaúcho.

1976
Em 27 de março, nasce Paula Rousseff Araújo. Dilma tinha 28 anos.

Morre a irmã mais nova, Zana Lívia.

Sem se filiar, faz campanha a favor do MDB na eleição de vereadores.

Ajuda a organizar debates no Iepes (Instituto de Estudos Políticos e
Sociais), mantido pelo MDB (presidido no RS à época por Pedro Simon).

1977
Forma-se em economia na UFRGS.

Perde o emprego na FEE porque seu nome é relacionado numa lista, a
chamada "lista do Frota", de funcionários públicos acusados de
subversivos pelo general linha dura Sylvio Frota, então ministro do
Exército.

1978
Decide fazer pós-graduação no Instituto de Economia da Unicamp, em
Campinas (SP), para onde se muda com a filha. Carlos Araújo faz
visitas com frequência quase mensal.

Fica matriculada no curso de pós-graduação (nível mestrado) em
Ciências Econômicas da Unicamp de março de 1978 a julho de 1983. Nesse
período, cumpre os créditos exigidos pelo programa, mas não apresenta
a dissertação necessária para obter o grau de mestre.

1979
Cumpre os créditos do mestrado na Unicamp, em Campinas (SP) .

1980
No dia 16 de julho, ingressa na Assembleia Legislativa do RS, onde
trabalha até 31 de dezembro de 1985, a maior parte do tempo como
assessoria da bancada do PDT.

1981
Separada de fato há muitos anos do primeiro marido, oficializa o
divórcio amigável de Cláudio Galeno -mas continua usando o sobrenome
"Linhares".

1982
Participa da campanha de Carlos Araújo, que ganha sua primeira eleição
para deputado estadual pelo PDT.

1985
Participa da campanha vitoriosa de Alceu Collares (PDT) a prefeito de
Porto Alegre.

Deixa o trabalho na Assembleia Legislativa do RS em 31 de dezembro de 1985.

1986
É nomeada por Collares secretária da Fazenda da Prefeitura de Porto Alegre.

Participa da campanha de Carlos Araújo, que ganha segunda eleição para
deputado estadual pelo PDT.

1988
Faz campanha para o marido, Carlos Araújo, candidato do PDT à
Prefeitura de Porto Alegre. O vencedor é Olívio Dutra (PT).

1989
Com o PDT fora da Prefeitura de Porto Alegre, deixa o cargo de
secretária da Fazenda.

Indicada pelo PDT, assume em 1º de janeiro o cargo de diretora-geral
da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

Faz campanha para Leonel Brizola (PDT), candidato a presidente. No
segundo turno, faz campanha para Lula (PT).

1990
Deixa a o cargo de diretora-geral da Câmara de Vereadores de Porto
Alegre em 21 de fevereiro de 1990.

Participa das campanhas de Alceu Collares, ao governo gaúcho, e de
Carlos Araújo, que ganha terceira eleição para deputado estadual pelo
PDT.

1991
Collares a nomeia presidente da FEE (Fundação de Economia e Estatística).

1992
Faz campanha para o marido, Carlos Araújo, candidato do PDT à
Prefeitura de Porto Alegre. Araújo perde. Fica em terceiro lugar,
atrás do vencedor Tarso Genro (PT) e de César Schirmer (PMDB).

1993
Assume em 1º de dezembro de 1993 como secretária de Minas, Energia e
Comunicações do governo Collares.

1994
Participa da campanha de Carlos Araújo, que ganha sua última eleição
para deputado estadual pelo PDT.

Depois de 25 anos de relacionamento, Dilma e Carlos Araújo se separam.

1995
Deixa em 2 de janeiro a Secretaria de Minas, Energia e Comunicações.

1996
Reconcilia-se com Carlos Araújo e voltam a viver juntos.

1998
Matricula-se em um doutorado na Unicamp em ciências sociais aplicadas
(a universidade permite o ingresso no doutorado mesmo sem ter
concluído o mestrado). Cursa o doutorado até dezembro de 1999
cumprindo todos os créditos obrigatórios, mas não defende tese.

1999
Formaliza mudança para o nome de solteira. Deixa de usar o sobrenome
"Linhares", do primeiro marido, e volta a ser Dilma Vana Rousseff.

Indicada pelo PDT, assume em 1º de janeiro de 1999 como secretária de
Minas, Energia e Comunicações do governo gaúcho na administração de
Olívio Dutra (PT).

2000
Separa-se definitivamente de Carlos Araújo. Compra um apartamento na
Vila Assunção, próximo à casa onde viveram juntos. Até hoje, quando
vai a Porto Alegre, hospeda-se nesse apartamento.

2001
O PDT se desentende com o PT no Rio Grande do Sul. Dilma opta por
deixar o partido e filiar-se ao PT. Permanece na Secretaria de Minas,
Energia e Comunicações.

2002
Participa da formulação do plano de governo na campanha presidencial
de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Deixa em 2 de novembro de 2002 o cargo de secretária de Minas, Energia
e Comunicações do Rio Grande do Sul.

Integra em novembro da equipe de transição de governo do PT, em Brasília.

Em 20 de dezembro, Lula anuncia a indicação de Dilma para o cargo de
ministra de Minas e Energia.

2003
Em 1º de janeiro, assume como ministra de Minas e Energia.

2004
Esgota-se se o tempo para integralização dos créditos e para que
defenda a tese de doutorado na Unicamp.

2005
Com a crise do mensalão, José Dirceu deixa a Casa Civil. Dilma é
nomeada para o cargo e assume em 21 de junho.

2006
Lula é reeleito e mantém Dilma na Casa Civil.

2007
Lula toma posse do seu segundo mandato e lança o Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC), uma compilação de obras de
infra-estrutura e medidas econômicas, cujo valor total anunciado pelo
governo chegaria a R$ 503,9 bilhões de 2007 a 2010. A Casa Civil
coordena as ações e Lula passa a chamar Dilma de "mãe do PAC".

Lula começa a sugerir a aliados, em conversas reservadas, que Dilma
pode ser sua sucessora.

2008
Em 28 de março, a "Folha de S.Paulo" revela que a secretária-executiva
da Casa Civil, Erenice Guerra, assessora de confiança de Dilma, deu
uma ordem para que fossem compiladas todas as despesas realizadas pelo
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sua mulher Ruth e ministros
da gestão tucana a partir de 1998. À época, havia uma crise por causa
dos gastos com cartões corporativos do governo Lula.


O governo nega tratar-se de um dossiê contra FHC, e sim de um banco de
dados. O banco de dados está ativo e abrange também o governo Lula.

2009
Em 25 de abril, anuncia em entrevista coletiva no hospital
Sírio-Libanês, em São Paulo, ter câncer no sistema linfático e que já
iniciou um tratamento quimioterápico.

Em 7 de julho, no Rio, admite erro no seu currículo divulgado na
página oficial da Casa Civil, que indicava a realização completa de
cursos de mestrado e doutorado. Ela fez os créditos desses cursos, mas
não apresentou dissertação nem tese.

Em 9 de agosto, a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira diz à
Folha que num encontro com Dilma a ministra teria pedido que uma
investigação realizada em empresas da família Sarney fosse concluída
rapidamente. Dilma nega. Lina depõe no Senado e não apresenta provas
da acusação.

Em 28 de setembro, médicos divulgam boletim afirmando que "Dilma
Roussef encontra-se livre de qualquer evidência de linfoma, com estado
geral de saúde excelente, podendo retornar a sua rotina normal".

Em 21 de dezembro, na cerimônia de lançamento do 3º Programa Nacional
de Direitos Humanos, aparece pela primeira vez sem a peruca usada
durante o tratamento contra o câncer.

Termina o ano consolidada em segundo lugar na pesquisa presidencial
Datafolha, com 23%. José Serra (PSDB) lidera com 37%.

2010
É nomeada oficialmente pré-candidata presidente no 4º Congresso
Nacional do PT, em Brasília, realizado de 18 a 21 de fevereiro.



 Escrito por jgalvino às 12h42
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galvino

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ano 23 - Goiânia, Goiás. Edição nº 03 de 2010 – 10 a 24 de fevereiro



Veja nesta edição:
- Mandante do assassinato da Irmã Dorothy Stang volta para a prisão
- Mantido desaforamento para Belém do Júri a que será submetido Regivaldo Galvão
- Cartas escritas por irmã Dorothy serão divulgadas por sua Congregação
- Encontro dos Povos Guarani da América do Sul termina com conquistas para os indígenas
- Ervas daninhas criam resistência ao glifosato
- Líder sem-terra é assassinado em Humaitá
- Poços são lacrados no interior da Bahia por terem sido contaminados por urânio
- Criminalização avança e trabalhadores rurais são presos em SP e em SC
- Decisão do TJ em favor de barragem em MG fere os direitos das famílias atingidas
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Mandante do assassinato da Irmã Dorothy Stang volta para a prisão
No dia 4 de fevereiro, a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o mérito do habeas corpus, interposto pela defesa de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, determinou que o fazendeiro teria que voltar à prisão, condenado à pena de 30 anos de reclusão, por ter sido um dos mandantes do assassinato da missionária Dorothy Stang, crime ocorrido em 12 de fevereiro de 2005. No dia 6 ele se entregou à Polícia. Vitalmiro foi absolvido no segundo julgamento ocorrido em maio de 2008 e colocado em liberdade. O Ministério Público apelou da decisão do Tribunal do Júri, e o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, em abril de 2009, anulou o segundo julgamento e decretou novamente a prisão de Bida, considerando a necessidade da garantia da ordem pública e a conveniência da instrução criminal. A defesa de Bida, ingressou então com o habeas corpus perante o STJ contra a decisão de prisão preventiva contra Bida. No dia 20 de abril de 2009, o ministro relator, Arnaldo Esteves, deferiu a liminar, até que fosse julgado o mérito. Com a decisão, Bida, foi posto novamente em liberdade. Agora com a decisão do STJ, Bida voltou à cadeia.(fonte: CPT Marabá)

Mantido desaforamento para Belém do Júri a que será submetido Regivaldo Galvão
As Câmaras Criminais Reunidas, em sessão do dia 8 de fevereiro, julgaram prejudicado o novo pedido de desaforamento para Belém do julgamento do fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da missionária norte-americana, Dorothy Stang pois já havia pedido anterior acerca do mesmo assunto e que, inclusive, já havia sido deferido pela desembargadora Raimunda Noronha, em outubro de 2006. Diante desse fato, o novo pedido de desaforamento não foi apreciado por perda de objeto. A desembargadora relatora do pedido, Vânia Silveira, esclareceu que a primeira decisão a favor do desaforamento foi recorrida pela defesa do réu com uma sucessão de recursos em instâncias superiores, que não acataram os mesmos por não terem preenchido os requisitos de admissibilidade (falta de documentação) e que, somente em janeiro deste ano, os autos retornaram ao TJPA com todos os recursos esgotados. Paralelo a esses recursos, também transitaram em julgado todos os recursos impetrados pela defesa de Regivaldo contra a sentença de pronúncia. (fonte: TJ Pará)

Cartas escritas por irmã Dorothy serão divulgadas por sua Congregação
O quinto ano da morte da missionária norte-americana Dorothy Stang será lembrado com a divulgação de várias cartas escritas por ela e de documentos que portava quando foi morta a tiros no município paraense de Anapu. Segundo irmãs da Congregação de Notre Dame, da qual Dorothy fazia parte, o objetivo é cobrar o julgamento de um dos acusados de mandante do crime, ocorrido em 12 de fevereiro de 2005. Elas querem também chamar a atenção das autoridades para os conflitos de terra que ainda ocorrem no Pará e para supostas fraudes em documentos para obtenção de financiamentos públicos. “O combate à impunidade é nossa meta, nosso ideal, nosso esforço”, disse irmã Rebeca Spires, que trabalhou mais de 30 anos com Dorothy. Segundo a religiosa, em seu trabalho pelos pobres, irmã Dorothy documentava todas as ações que fazia. Enviava cartas a representantes de vários órgãos na região, como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), muitas vezes escritas de próprio punho, para tentar fazer valer a lei e também evitar a destruição da floresta. Em uma das cartas, escrita em 19 de fevereiro de 2004, Dorothy denuncia às “autoridades de segurança pública”, que famílias do Lote 16, na Gleba Bacajá, em Anapu, estavam sendo ameaçadas por um madeireiro e por “homens armados”. Segundo a carta, na ocasião, o fazendeiro estaria também ameaçando trabalhadores de uma firma contratada pelo Incra para fazer a demarcação dos projetos de desenvolvimento social (PDS) criados por Dorothy. “Ele já ameaçou os agrimensores dessa firma contratada pelo Incra para tirar os perímetros oficiais do PDS. Esses homens da firma saíram da mata para não morrer”, diz a carta. Segundo irmã Rebeca, como o dia 12, data da morte de Dorothy, coincidirá com o período de carnaval, as manifestações em homenagem à missionária, serão realizadas ainda nesta semana, em Anapu e em Belém. “Em Anapu, todos os anos, na data do aniversário, são realizadas manifestações o dia inteiro, até noite adentro. Aqui na capital, haverá manifestação em frente ao tribunal [de Justiça do Pará]. Haverá muitas manifestações.” Irmã Rebeca espera que isso provoque também as autoridades a fazer sua parte. “Talvez não façam, porque a gente vai diretamente a eles, então a gente vai por fora também.” (fonte: Agência Brasil)

Encontro dos Povos Guarani da América do Sul termina com conquistas para os indígenas
Sob os olhares atentos de algumas dezenas de representantes dos Povos Guarani da América do Sul, ministros da Cultura do Brasil e do Paraguai e outras autoridades foram até a pequena aldeia de Añetete, no Oeste do Paraná, onde se realizava o Encontro dos Povos Guarani da América do Sul, cumprindo um protocolo previamente enviado à coordenação do evento que era o de apresentar um documento firmado entre os dois países sobre a situação desses indígenas. Após as apresentações foi feita a leitura do documento, onde constava a “Criação e manutenção de uma Secretaria Especial de Representação do Povo Guarani vinculado ao Mercosul Cultural”, uma reivindicação antiga desse povo, além da proposta de criação de um fórum permanente de discussão em defesa dos direitos Guarani, no âmbito do Mercosul. O documento trazia ainda a reivindicação de realização de atividades culturais, seminários, intercâmbios, políticas públicas e a garantia da punição contra a discriminação, preconceito e violência praticadas contra o povo Guarani. No final do Encontro ainda foi lido e aprovado outro documento, falando do processo histórico colonial da invasão e da necessidade urgente da regularização das terras Guarani. Um documento especial falando da grave situação dos Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul, onde deveria ser realizado o encontro, também constará apenas na publicação que será feita pelo Ministério da Cultura. O Encontro dos Povos Guarani da América do Sul, realizou-se de 2 a 5 de fevereiro na aldeia Añetete, no município de Diamante D’Oeste, no Paraná, contando com a participação de aproximadamente 800 Guarani do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia. (fonte: CIMI Mato Grosso do Sul)

Ervas daninhas criam resistência ao glifosato
As ervas resistentes ao glifosato – o herbicida mais usado do mercado – forçam produtores de grãos das três Américas a reverem suas práticas. Os laboratórios não oferecem nenhuma alternativa química capaz de reverter sozinha a situação. Segundo especialistas, por mais que se apele aos herbicidas alternativos disponíveis no mercado, o remédio mais eficiente por enquanto é a rotação de culturas, a diversificação. O controle de plantas como buva, azevém, amendoim bravo (leiteira) e capim amargoso – que estão se tornando mais fortes que o glifosato em lavouras brasileiras, exige participação direta do produtor. Se afetado, ele precisa mudar de cultura, reorganizar a sequência de plantios ou tentar abafar as ervas daninhas no inverno com o plantio de gramíneas. O último recurso é voltar à época da foice e da enxada. Já existem áreas em que só trabalho manual detém as invasoras. No Brasil, o principal desafio na guerra contra o novo problema é vencer a buva. A planta saiu do barranco para o meio da lavoura e, imbatível, infestou regiões agrícolas inteiras em menos de cinco anos, incluindo Sudoeste, Oeste, Noroeste e Norte do Paraná. Perto de 40% da área de soja do estado foi infestada, avalia a Embrapa. (fonte: Jornal Gazeta do Povo)

Líder sem-terra é assassinado em Humaitá
O trabalhador rural Valmir de Souza, que já participou ativamente das lutas do MST no estado do Amazonas, foi assassinado na noite do dia 31 de janeiro, enquanto assistia TV junto com mulher, filhos e um irmão. Valmir vinha denunciando sistematicamente o abandono da vicinal do km 45 da BR-319 no sentido Humaitá-Porto Velho (RO) e culpava a administração do prefeito Dedei Lôbo por não prestar sequer assistência médica aos seus moradores. A gota d'água pode ter sido uma entrevista que ele deu a um programa de TV de Manaus fazendo as mesmas denúncias. Valmir ouviu um barulho estranho próximo de sua casa e foi até a janela ver o que era. Foi quando recebeu um tiro de espingarda no peito, morrendo alguns minutos depois. (fonte: Blog da Floresta)

Poços são lacrados no interior da Bahia por terem sido contaminados por urânio
Em três meses, nove poços próximos à unidade da estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil) em Caetité, sertão da Bahia, foram fechados por causa do alto índice de radioatividade, até 47 vezes o limite legal. Os laudos que apontam contaminação por urânio são do órgão estadual Ingá (Instituto de Gestão das Águas e Clima). A única mina de urânio em atividade no país, origem da matéria-prima para o combustível das usinas nucleares de Angra do Reis, fica em Caetité. Num raio de 20 km da mina, os poços começaram a ser pesquisados no final de 2008, quando um deles foi fechado. Desde então, Caetité vive uma guerra de informação, que prejudica produtores, atemoriza parte da população de 46 mil habitantes e põe em xeque a retomada do programa nuclear brasileiro pelo governo federal. A minerado alega que o constatado é sinal da presença natural e inofensiva do metal -e não resultado da atividade mineradora. A avaliação dos impactos da mineração na saúde da população de Caetité levará cinco anos para ser concluída. (fonte: Folha de São Paulo)

Criminalização avança e trabalhadores rurais são presos em SP e em SC
Os juízes de primeira instância estão intensificando sua presença em áreas de tensão rural. Um dos sinais da mudança é o aumento do número de ordens judiciais envolvendo conflitos. Segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), no ano passado foram detidos 74 militantes de movimentos de sem-terra - quase o triplo do que se verificou em 2008, quando ocorreram 27 detenções. No mesmo período também aumentou a quantidade de prisões, passando de 168 para 201. O número de famílias despejadas judicialmente das propriedades rurais invadidas variou de 9.077 para 12.847. Esse acréscimo ocorreu paralelamente a uma queda no número global de ocupações. Este ano, a intervenção do Judiciário poderá ser ainda mais pesada, a julgar pelo que já se observou no mês de janeiro. Em São Paulo, a Justiça autorizou a prisão de cerca de 20 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), entre os 35 indiciados, acusados de depredação durante ocupação de uma fazenda grilada pela empresa Cutrale, na região de Iaras, em outubro do ano passado. Desses, nove militantes do MST foram presos no dia 26 de janeiro. Em Santa Catarina foram presos, por prevenção, outros três integrantes do MST, apenas por desconfiarem de que eles estariam preparando uma ocupação no estado. No Pará foram expedidos mandados de prisão preventiva para mais quatro líderes. No total foram 27 mandados neste ano. (fonte: Estadão e CPT)

Decisão do TJ em favor de barragem em MG fere os direitos das famílias atingidas
Segundo Nota divulgada no dia 2 de fevereiro, pela CPT regional Zona da Mata, que vem acompanhando os problemas e impactos que a Barragem Barra de Braúnas que atinge os municípios mineiros de Laranjal , Recreio, Leopoldina Cataguazes, vem trazendo para a região, foi detectado que os empreendedores utilizaram propagandas enganosas e que fizeram falsas promessas para a população. Segundo a Nota da CPT, as famílias atingidas pela obra foram pressionadas de várias formas a atender o que a empresa responsável, a Brascan, propunha. Em agosto de 2009 o Conselho Estadual de Assistência Social (CEAS) não aprovou o Plano de Assistência Social (PAS) apresentado pelo empreendimento. Mesmo assim, no mês seguinte, a empresa conseguiu a aprovação da Licença de Operação ad referendum junto à Secretaria de Meio Ambiente de MG. Toda a situação apresentada pelos atingidos, de como foram pressionados a venderem seus imóveis, de como foram ameaçados por não querer entregar suas terras por um preço irrisório foi levada ao conhecimento do COPAM Regional Zona da Mata no dia 24 de agosto de 2009, mas a justificativa por parte deles era que a Brascan já havia conseguido as licenças obrigatórias. Uma vez acontecido isso, foi encaminhada uma denúncia ao CEAS, o que acarretou numa vistoria e reunião nos municípios atingidos onde foi verificada a procedência da denúncia, e logo cassado o PAS aprovado. Ao mesmo tempo foi suspensa, também, a Licença de Operação. Mas, mesmo assim, o presidente do TJ de Minas Gerais revogou a liminar e deu parecer favorável à Brascan. A CPT em Minas Gerais e os atingidos pela obra denunciam a violação dos direitos humanos das famílias e denunciam, ainda, o favorecimento dos governos que apóiam financeiramente este projeto. (fonte: CPT Zona da Mata Mineira)
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009



O príncipe mentiu

A história de Fernando Henrique Cardoso que a mídia hegemônica escondeu por 18 anos
Da redação
Agora a Folha de S. Paulo deu: o artigo saiu na página 6 da edição de domingo (15/11/2009), assinado pela jornalista Mônica Bergamo, sob o título “FHC decide reconhecer oficialmente filho que teve há 18 anos com jornalista”. Conta a história do caso extraconjugal do ex-presidente com a jornalista Mirian Dutra, da TV Globo, e do filho dos dois, Tomas Dutra Schmidt, que tem atualmente 18 anos. Mas, anos atrás, em março de 2000, quando a Caros Amigos resolveu pesquisar junto aos maiores veículos de comunicação do país porque esse fato jornalístico não era veiculado, o diretor de redação da Folha de S. Paulo, Otávio Frias Filho, justificou que o seu jornal “não publica assuntos de ordem afetiva enquanto pelo menos uma das partes não se manifestar”.
Mais uma desculpa entre tantas ouvidas pelos jornalistas da Caros Amigos (Palmério Dória, João Rocha, Marina Amaral, Mylton Severiano, José Arbex Jr. e Sérgio de Souza), que se empenharam em demonstrar que o fato jornalístico era verdadeiro, era assunto de interesse público (já que FHC era presidente da República e estava metido numa relação extraconjugal com uma funcionária da Rede Globo, concessionária de um serviço público) e que estava sendo blindado pela mesma imprensa que havia escrachado os casos amorosos e os filhos de vários políticos nascidos fora do casamento, como os de Lula, Quércia, Collor. Na ocasião, havia ficado evidente que a chamada grande mídia ou mídia gorda estava mesmo escondendo o caso deliberadamente, uma situação típica de proteção ao político tucano.
Na época, inclusive, a Caros Amigos foi procurada por emissários do tucanato para ser convencida a desistir da reportagem; foi também vítima da acusação de praticar jornalismo marrom e sensacionalista. No entanto, o que a Caros fez não foi explorar o caso amoroso ou a existência de um filho fora do casamento, foi mostrar que a imprensa brasileira, que havia dado destaque para casos semelhantes, tinha se calado ou sido silenciada no caso específico de Fernando Henrique Cardoso. Afinal, o príncipe havia mentido, e usado os mais sórdidos artifícios para esconder o seu caso com a jornalista e o filho que tiveram, nascido em 1991. Finalmente ele decidiu reconhecer o filho. Finalmente a imprensa hegemônica admitiu que o assunto é fato jornalístico. A história ganhou a maioridade.


Leia a seguir a reportagem publicada na Caros Amigos em abril de 2000


POR QUE A IMPRENSA ESCONDE O FILHO DE 8 ANOS DE FHC COM A JORNALISTA DA GLOBO?

Por Palmério Dória, João Rocha, Marina Amaral, Mylton Severiano, José Arbex Jr. e Sérgio de Souza

Esta reportagem começou assim: o jornalista Palmério Dória ofereceu para Caros Amigos um artigo cujo título era “Presidente, Assuma!”, referindo-se ao filho gerado do romance entre Fernando Henrique Cardoso e a jornalista Miriam Dutra quando o atual presidente da República era senador. A jornalista trabalhava, e trabalha ainda, para a Rede Globo, na ocasião como repórter em Brasília, hoje como correspondente em Barcelona, Espanha.

O artigo, depois de dizer que o casal era visto nas noites de Brasília a partir do final de 1988, contava em detalhes, revelados por testemunhas, a reação irada do então senador, com xingos à jornalista, expulsão da sala e um pontapé no circulador de ar, que foi parar longe, no dia em que ela foi ao seu gabinete participar-lhe a gravidez. Abordava em seguida a situação criada após o nascimento da criança, em 1991, quando a estrela do senador começava a brilhar na política, projetando contornos para uma candidatura à presidência da República.

Citava a participação dos amigos Sérgio Motta e José Serra, “cabeças do projeto presidencial”, no episódio, primeiro conseguindo para a mãe e a criança um apartamento mais confortável na Asa Sul, onde ela já morava mais modestamente, e, depois, fazendo gestões junto ao diretor de jornalismo da Rede Globo, Alberico Souza Cruz, que é o padrinho do menino, no sentido de transferir a jornalista para Lisboa, o que se efetivou.

Dizia ainda o artigo que, a certa altura, esses três personagens foram substituídos, no que o autor chama de “corpo de bombeiros”, por um conhecido lobista de Brasília, aparentado de Miriam Dutra que em determinadas rodas é chamado de “o homem que sustenta o filho do presidente”. Antes de encerrar o artigo, o autor pergunta por que tanto segredo, por que a “conspiração de silêncio” da imprensa em torno da história, listando uma série de políticos e personagens públicos que em casos semelhantes viram noticiados os fatos que haviam protagonizado.

Ao entregar o texto, o jornalista sugeriu que o ilustrássemos com uma foto de Miriam Dutra. E foi aí que as coisas passaram a tomar outro rumo.

Quando procuramos, por telefone, o Departamento de Documentação (Dedoc) da Editora Abril, que vende esse tipo de material, como todas as empresas jornalísticas, ficamos sabendo que lá havia uma única foto da jornalista da Globo, tirada da tela de uma televisão por um fotógrafo da revista Veja, que em 1994 preparava uma reportagem sobre o caso Miriam Dutra/FHC, candidato à presidência da República. Para isso a revista tinha enviado a repórter Mônica Bergamo a Lisboa. O funcionário do Dedoc tratou do assunto com naturalidade, pedindo que aguardássemos um minuto na linha enquanto ultimava os trâmites rotineiros para o envio da foto.

Quando voltou ao telefone, desapontado disse que a foto não podia ser liberada, não sabia por quê. Pedimos que transferisse a ligação para a direção do Dedoc, que atendeu, se disse surpresa com o fato, que iria verificar o que estava acontecendo e nos ligaria em seguida. Depois de uma hora, ligou dizendo que realmente a foto não podia ser liberada porque era de autoria desconhecida, envolvia o nome da Globo e, assim, estava bloqueada.

Primeira providência: localizar o fotógrafo, que não estava mais em Veja, trabalha agora para o Correio Braziliense, jornal de Brasília. Ele confirma haver feito a foto para uma “matéria de gaveta”, no jargão jornalístico aquela matéria que espera a ocasião oportuna para ser publicada ou fica para sempre enterrada. “Fiz a foto da televisão porque toda a imprensa tinha a matéria e, se um desse, todos davam”, disse ele.

Essa informação não só já havia transpirado de Veja, por outra via, como a direção da revista dissera à repórter enviada a Lisboa que ela estava indo procurar Miriam Dutra para que não corressem o risco de ser “furados” por alguém. De qualquer forma, na volta a repórter entregou um relatório com a entrevista feita com Miriam Dutra, que não quis revelar o nome do pai, disse que o pai não merecia aquele filho, deu detalhes do parto etc. e a matéria foi para a gaveta, apesar de a direção da redação estar dividida, votos a favor e contra sua publicação, prevalecendo ao final o “não” do diretor, Mario Sergio Conti.

Sabe-se que houve ameaça à Abril, por parte da irmã de Miriam Dutra, Magrit, que por telefone disse que quebraria (financeiramente) a editora, caso a matéria fosse publicada.

As contradições apontaram definitivamente para a investigação. Íamos procurar saber como são, a partir de fatos, as relações entre o presidente da República e a mídia. Precedentes já havia, como o da época da reeleição, por exemplo, quando o presidente chamou a Brasília todos os donos dos grandes veículos para pedir uma ajuda em favor de sua candidatura quando em maio/junho de 1998 ela periclitou nas pesquisas de opinião pública.

Antes de qualquer coisa, precisaríamos ouvir Miriam Dutra, procurar confirmar o “segredo de polichinelo”, como dizem jornalistas que conhecem a história. E praticamente todos os diretores de redação à época das eleições de 1994 a conhecem, embora muitos – iríamos pedir a palavra de todos eles – fossem argumentar que não publicaram a matéria porque a mãe da criança não havia procurado a imprensa nem a Justiça e só nessas circunstâncias as normas internas admitem a publicação.

O que não é verdadeiro, sabe-se de pelo menos um fato semelhante a esse em que houve até exploração tendenciosa por parte da mídia, fato revelado também em época de campanha presidencial, a de 1990, envolvendo a filha do candidato Lula, trazido a público por um repórter do Jornal do Brasil que foi investigar a história e não porque algum dos envolvidos tivesse procurado a imprensa ou a Justiça.

Outro argumento de diretores de redação em defesa da não publicação da história que resolvemos contar é o de ela não ser um fato jornalístico. Esquisito não considerar fato jornalístico um presidente da República ter um filho fora do casamento com uma jornalista da Rede Globo.

Fomos, então, procurar Miriam Dutra, por intermédio de um jornalista brasileiro, João Rocha, que está morando em Barcelona. Eis o seu relato, de 30 de janeiro deste ano:

“Descobri um Colegiado de Jornalistas onde havia um Centro Internacional de Jornalistas. Consegui achar Miriam Dutra em uma lista absolutamente equivocada – a de Madri, mas com um endereço de Barcelona. Fui até lá. É um bairro de classe média alta, na parte mais moderna da cidade. Achei a rua, mas penei para achar o prédio. Enquanto pedia informações na rua para localizar o número que buscava, encontrei acidentalmente um brasileiro. Um homem de seus sessenta e poucos anos, artista plástico paraibano. Havia deixado o Brasil em 1963, mas conservava intato o sotaque, mesmo falando catalão ou espanhol. Seu nome é Oto Cavalcanti, figura interessante, também se confundiu muito para achar o prédio que supostamente era no quarteirão em que ele morava. Quando falei que procurava uma jornalista brasileira, ele lembrou que a moça da banca de jornal havia lhe falado de uma jornalista brasileira da Globo vivendo por perto. Fomos até a banca. A moça se mostrou muito simpática até eu perguntar sobre Miriam Dutra. Aí ela mudou de expressão, de tom de voz e falou que Miriam já se havia mudado e que nunca mais a tinha visto. Perguntei outra coisa e ela simplesmente me ignorou, como se eu não pudesse saber de mais nada. Essa moça, eu soubera um pouco antes pela sua ajudante, tornara-se amiga de Miriam em suas compras diárias de jornais e revistas. Saí da banca com mais algumas informações, porém achando que o endereço que eu tinha estava errado e, além disso, sabendo que Miriam havia se mudado. Mas continuei procurando e perguntando para as pessoas. Todos desconheciam o número, exceto seu Manuel, porteiro português que trabalha há anos na região: ‘Esse prédio fica naquele bulevar atrás do muro do Gaudí, todo mundo se perde’. Já era noite e o muro estava iluminado. Lindo! E atrás dele estava o número 61 da rua Manoel Girona. Visivelmente um prédio de classe média alta. O porteiro não estava, mas a caixa de correio mostrava que Miriam não morava mais ali. Esperei que algum morador ou o porteiro aparecesse. Foi o tempo de um cigarro. Lá vinha ele, um típico catalão de uns sessenta anos. Foi dele que pude conseguir a mais rica descrição da nossa personagem. Me descreveu seus hábitos, jeito etc., coisas que um porteiro sabe como ninguém. Falou que ela mudara havia uns seis meses, para perto, e que não a via desde o Natal, quando tiveram uma ligeira discussão sobre as cor-respondências que ainda chegavam para ela e que já não queria receber. Foi aí que ele completou o perfil que eu estava montando desde que comecei a pensar na personagem: ‘É uma pessoa muito fechada, apesar de ter sido sempre correta comigo. O que eu vou fazer se uma pessoa não quer deixar seus rastros?…’

“Chegando em casa, organizei as anotações e quase joguei fora o número do telefone que supostamente seria o de Miriam, já que o porteiro me havia assegurado que a linha tinha ficado com o novo inquilino. Mas resolvi tentar: ‘Alô’, eu ouvi, tomando um susto tremendo, e então perguntei em espanhol se era da casa de Miriam Dutra. ‘Si, un momento.’ E ao longe: ‘Mãããe!’ Era ele, Tomás. Com o coração disparado de quem busca algo durante tempos e encontra por acaso, não tive rapidez para fazer outra coisa que não esperar por Miriam. E ela atendeu: ‘Hola’. ‘É a Miriam Dutra?’ ‘Sim’. ‘Oi, Miriam, meu nome é João Rocha. Sou um jornalista brasileiro que está vivendo em Barcelona. A revista Caros Amigos está fazendo uma reportagem em que cita o seu nome e pediram que a procurasse para ouvi-la’. E ela, meio transtornada: ‘Cita meu nome? Em quê?’ ‘Olha, fala de um suposto caso que você teria tido com o nosso presidente da República, Fernando Henrique, e de um filho que teria resultado desse relacionamento’. Pelo silêncio que se fez, esperava ouvir o telefone dela batendo no gancho, mas não. Veio a resposta: ‘Olha, João, eu não vou falar nada sobre essa história. Eu não sou uma pessoa pública. Se vocês têm algo para perguntar, não é para mim. Perguntem para a pessoa pública’.”

A afirmação de Miriam Dutra era definitiva e, no mínimo, removia de vez a argumentação de jornalistas que não contam o que sabem escudando-se em manuais de redação. Seguiríamos sua sugestão de procurar a pessoa pública dessa história, mas só depois de ouvir todos os diretores de redação da época em que o caso aflorou mais fortemente, 1994, FHC candidato. Devíamos começar por Veja, de onde a lebre foi levantada a partir da foto proibida.

Palmério Dória conta sua tentativa:

“Liguei para Mario Sergio Conti, que durante a primeira eleição de FHC era diretor de redação de Veja. Previa certa animosidade, porque naquela semana tinha saído em Caros Amigos um quadro comparativo que fiz entre famosos de ontem e de hoje – ‘Portrait du Brésil: décadence avec desélégance’. Entre as quarenta comparações (por exemplo: JK/FHC; bossa nova/pagode; Ataulfo Alves/Alexandre Pires; mar de lama/Proer; Marta Rocha/Adriane Galisteu), sobrou para o autor do best-seller Notícias do Planalto: David Nasser/Mario Sergio Conti. Quer dizer, esperava animosidade mas não a tempestade que desabou: ‘Mario Sergio, estou fazendo uma matéria sobre aquela história que todo mundo fala mas ninguém conta, o suposto filho do Fernando Henrique…’. ‘Palmério, você acha que eu vou mover uma agulha por você?’ (ainda contendo a fúria) ‘Você me comparou com o… David Nasser…’ Tentei dizer algo em meio ao atropelo de impropérios que se seguiu: ‘Mario, estou ligando para o cargo, você tinha a função de diretor de redação…’. ‘Eu não sou da sua laia. (berrando) Leve a sua calhordice até o fim!’ Berrando, desligou o telefone.”

Em seguida, Palmério falou com mais três jornalistas que ocupavam posto de comando nas publicações em que trabalhavam durante a campanha presidencial de 1994:

“Augusto Nunes, hoje dirigindo a revista Época, era diretor de redação do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Temos uma considerável convivência, começamos juntos no Estadão: “

“- Augusto, falam que todos os jornalões e revistas tinham essa matéria e que, se um desse, todos dariam. Vocês tinham também, para a eventualidade? “

“- Não chegamos a ter. Claro que a questão foi levantada na redação: ‘Fizeram uma sacanagem com o Lula, e agora como é que é?’ Mas quem fez a sacanagem com o Lula foi a Miriam Cordeiro. No caso do Fernando Henrique, a suposta mãe diz que não é. O filho tem um pai no papel, e ela não fala que Fernando Henrique é o pai. A Zero Hora nem partiu para levantar o assunto, que circulava realmente em todas as redações. “

“Aluízio Maranhão, diretor de redação do Estadão naquele tempo, hoje também na revista Época, garante que o jornal dos Mesquita não tinha matéria de gaveta sobre o caso: “

“- Havia um obstáculo intransponível: ela nega. O rapaz – o registro do menino: ele tem um pai legal. Você vê o caso do Lula. A filha existe, a mãe assumiu, se deixou usar como munição política. Tem que ter algum BO (não Bom para Otário, mas Boletim de Ocorrência). Sendo verdade, termina servindo de munição. Isso vale para um suposto filho de um presidente e para um suposto consumo de drogas de um presidente. Você tem que ter provas e testemunhas com um mínimo de credibilidade. Não tem nada a ver com status social. Por todas essas razões, não chegou a ser tema de discussão, por absoluta falta de provas. Houve um momento em que o site do PDT fez circular uma matéria do Diário de Notícias, de Portugal, com a história. Foi malandragem com interesses político-partidários e decidimos não noticiar. E essa foi a decisão de todos os órgãos. “

“Hélio Campos Mello, diretor de redação de IstoÉ, comigo foi sempre de uma afabilidade total. Mas, toquei no assunto, adotou o chamado distanciamento crítico, tornou-se seco e objetivo: ‘Não tenho uma história, não tenho a certidão de nascimento, não tenho uma mãe dizendo que o garoto é filho dele (o presidente). Alguém pode dizer: ‘Ah, ele é parecido’. O filho do Collor é quase um teste de DNA’!”

Palmério não perguntou, e o diretor de redação de IstoÉ talvez não tenha tomado conhecimento, mas sabe-se que um repórter da revista fez a matéria e ela foi engavetada, por instância do proprietário da editora, que disse:

“Não sou louco, tenho negócios”. Esse mesmo empresário já disse, em tom de brincadeira, para quem quisesse ouvir: “Sou mesmo um bandoleiro da imprensa; os outros também são, mas não dizem”.

Como estivéssemos entrevistando jornalistas, rapidamente a matéria passou a ser comentada nas redações, obviamente indo parar nos corredores do poder federal. Combinamos um jantar, numa churrascaria em São Paulo, com um jornalista que está trabalhando para o governo. Ele disse que havia uma preocupação com a matéria nos altos escalões, amigavelmente desaconselhando-nos a publicá-la.

Fez ver que a editora, caso Caros Amigos saísse com a reportagem, podia enterrar a pretensão de conquistar anúncios ou qualquer serviço editorial da área governamental, que abertamente havíamos pleiteado com ele como pleiteamos junto a todo o tipo de empresas insti-tucionais. Ao contrário, acenou, não saindo a matéria eram muito boas as chances de obtermos no futuro algum tipo de serviço editorial para órgãos públicos.

Em um almoço, numa cantina, também em São Paulo, Palmério Dória, que julgavam ser o único autor da reportagem, receberia, por intermédio de um amigo jornalista, convite para ir trabalhar na assessoria de imprensa da Petrobrás, no Rio. Perguntou ao amigo de quem partira o convite, o amigo declinou o nome do lobista aparentado de Miriam Dutra. Os lobbies em favor do silêncio começavam a convergir.

Um deputado federal da oposição liga para a redação pedindo o telefone particular de José Arbex Jr., editor especial de Caros Amigos. O telefone é fornecido. Arbex conta o diálogo ocorrido depois das saudações de praxe:

“- E aí, o que você manda?”

“- Rapaz, eu queria te dar um toque, mas é em caráter pessoal.”

“- Pode dizer.”

“- Pois é, eu estava conversando outro dia com um cara que é muito ligado ao governo, e ele me disse que o pessoal estava preocupado com uma reportagem que a Caros Amigos está fazendo, o cara até me perguntou se eu sabia qual era a da Caros Amigos, se ela é do PT…”

“- Do PT?”

“- Pois é, rapaz, do PT. Eu falei que não, disse que não sabia nada sobre a Caros Amigos, até que passei numa banca de jornal e li o expediente da revista, e vi que conhecia algumas pessoas da redação. Por isso resolvi te ligar.”

“- Sei, mas qual é a preocupação do governo? “

“- Eles acham que vocês estão fazendo uma matéria escandalosa envolvendo o presidente. Eu acho que não é o caso, pois, conhecendo vocês, eu acho que não iriam por essa linha de sensacionalismo barato.”

“- Ih, não é nada disso. Os caras, pra variar, estão mal informados. A reportagem não é sobre a vida do FHC, mas sim sobre a relação da mídia com o FHC, o silêncio cúmplice, essas coisas…”

“- Ah, bom, eu sabia…”

“- Mas eu não entendi muito bem qual é o toque que você disse que ia me dar.”

“- É que eu vi que os caras estão preocupados, e como te conheço há muito tempo, e tem uma relação de confiança, apesar de talvez existirem divergências políticas, então resolvi conversar com você em caráter pessoal. Os caras estão muito preocupados, rapaz… “

“- Eu te agradeço a confiança, mas a gente não vai promover nenhum sensacionalismo.”

Nesse mesmo mês, fevereiro, liga para Sérgio de Souza, editor de Caros Amigos, o diretor de redação da revista Imprensa, Tão Gomes Pinto. Diz estar intercedendo em nome de Miriam Dutra, que lhe telefonara de Barcelona cheia de preocupação em relação à matéria e que ela queria falar com Sérgio. “Pois não”, respondeu Sérgio, dando ao interlocutor todos os seus números de telefone. O diretor da revista Imprensa, antes de desligar e depois de muito insistir sobre a preocupação de Miriam, disse que qualquer dia iria fazer uma visita à redação de Caros Amigos, que não conhecia ainda.

Antes que se passasse meia-hora, anunciam que Tão Gomes Pinto está na recepção, quer falar com Sérgio. Desce, cumprimentam-se, Tão vai repetir que Miriam está preocupadíssima mas que resolveu não telefonar para Caros Amigos. O tom resvala à dramaticidade. Sérgio pergunta se são amigos, Tão responde que conheceu Miriam nos tempos de Brasília, não chega a dizer que eram amigos. No meio da conversa, Sérgio, que tinha a informação de que Tão e o lobista aparentado de Miriam estavam naquele momento esgrimindo conjuntamente um lobby junto a uma empresa brasileira, pergunta se o diretor de redação da revista Imprensa conhece fulano de tal (dá o nome do lobista).

Tão olha para o alto, como se buscasse na memória o personagem, até que, no timing certinho, diz que sim, mas que não vê o homem faz muito tempo, mais de ano. A pergunta faz com que a conversa se dilua, Tão chega a comentar, em tom cúmplice, que a nossa matéria devia ser feita pela revista Imprensa e despede-se fraternalmente, levando alguns livros da editora de Caros Amigos, a Casa Amarela, para divulgar em sua revista.

Diante disso, embora convictos de que se tratava de uma mentira encomendada pelo lobista, pedimos ao repórter de Barcelona que perguntasse a Miriam Dutra se ela havia pedido a intercessão do diretor de redação da revista Imprensa. O pedido a João Rocha, como o primeiro, foi feito por Mylton Severiano, que participava também da reportagem e é amigo do jornalista que vive em Barcelona. Mylton recebeu então o seguinte e-mail:

“Logo depois de receber sua mensagem, encontrei um amigo brasileiro para ir almoçar. Na fila do restaurante, falávamos nosso portuguesinho despreocupado quando uma moça atrás de nós me cutucou no ombro: ‘Vocês são brasileiros, não?’ E se apresentou:

‘Me chamo Tânia, sou de Brasília, estou fazendo doutorado aqui na faculdade…’. Foi justo no momento em que me deu o estalo e, com aquele tipo de palavras que você não sente sair da boca, perguntei: ‘Você é amiga da Miriam Dutra, não?’ E ela, surpresa: ‘Ah, a Miriam, sou, como você sabe?’ E eu, ainda naquele estado: ‘É que ela me falou de você, que havia chegado há pouco tempo e que estava procurando apartamento para alugar’.

‘Procurando apartamento? Não, imagina! Moro aqui há três anos!’ Nesse momento, o mundo se contorce e já não se entende mais nada. Mas, como eu, ela também fazia doutorado e, momentos depois, coincidências esclarecidas, resolvo puxar o assunto do filho do presidente e explico minha relação com Miriam: o interesse no suposto caso que Miriam supostamente teria tido com o presidente, do qual supostamente teria nascido um suposto filho, supostamente presidencial. ‘Suposto?’, me interrompe a moça. ‘Suposto, não! É do Fernando Henrique. Ela não te contou? É a cara do presidente!’

“Chegando em casa, ligo para Miriam. Quem atende novamente é Tomás: ‘Péra um pouquinho. Maãããnhê!’ Longa conversa, como havia sido a primeira, dessa vez contabilizada pelo cronômetro do telefone: uma hora e dez minutos. Quanto ao movimento de sugestão de silêncio, ela diz não ter a menor idéia de onde saiu. Fala que não tem nada a ver com isso e que a última pessoa com quem havia conversado sobre o assunto fui eu. Tão Gomes Pinto ela diz conhecer apenas profissionalmente, como jornalista respeitado, e que não tem nem sequer o telefone dele. Comenta o contrato dela com a Globo, anual, de prestação de serviços no exterior, ‘como há uns quarenta mais’, acrescentando que veio por razões profissionais e por sua própria conta. Fala, também, em tom ameaçador mas brando: ‘Se a revista publica uma coisa dessas, vai ter que provar. Sei dos meus direitos e conheço os meios jurídicos. Vai ter que provar’. E, enfim, depois de eu muito cutucar, saiu: ‘Tomás Dutra Schmidt, nascido no dia 26 de setembro de 1991 à zero hora e quinze minutos em uma maternidade de Brasília, batizado pela avó materna e registrado na mesma cidade somente no nome da progenitora’. Levando portanto sobrenomes iguais aos dela.”

A repórter e editora executiva de Caros Amigos, Marina Amaral, iria a Brasília para, além de solicitar uma audiência com a “pessoa pública”, tirar uma cópia, no respectivo cartório, da certidão de nascimento do menino. Antes, porém, como estava pautado, trataria de colher os depoimentos utilizados pelos grandes veículos para justificar o fato de nunca terem tratado do assunto.

Começa por Alberico Souza Cruz, atualmente na Rede TV!. A telefonista atende, Marina diz que deseja falar com ele, a ligação é transferida, atende voz masculina, Marina pede:

“- Por favor, o Alberico. ‘

“- Quem gostaria de falar? ‘

“- É Marina, da Caros Amigos. ‘

“- Oi, Marina, tudo bem? É o Alberico. ‘

“- Que bom, nem pensei que seria tão fácil falar com você… (risos) ‘

“- Com prazer, pode falar.’

“- É um assunto meio delicado, mas, como vamos dar a reportagem na próxima edição, tenho de perguntar. A reportagem fala do filho da Miriam Dutra com…’

“- Me desculpe, mas, sobre esse assunto eu não falo. ‘

“- Mas a reportagem até diz que você é o padrinho do menino… ‘

“- É, mas sobre esse assunto eu realmente não falo. Me desculpe. Até logo.”

O sucessor de Alberico na direção de jornalismo da Rede Globo é Evandro Carlos de Andrade, ex-diretor de redação do jornal O Globo, função que exerceu de 1972 a 1995. Autoridade máxima e palavra final do jornal, seu depoimento para uma reportagem que põe em discussão as atitudes da imprensa diante de determinados fatos era de grande importância.

No caso, principalmente porque foi na sua gestão que O Globo publicou, em 14 de dezembro de 1989, data em que a televisão transmitiria, à noite, o debate que decidiria a eleição presidencial em favor de Fernando Collor, o seguinte editorial, destacado na primeira página:

“O direito de saber ‘

“O povo brasileiro não está acostumado a ver desnudar-se a seus olhos a vida particular dos homens públicos. “O povo brasileiro também não está acostumado à prática da Democracia.’

“A prática da Democracia recomenda que o povo saiba tudo o que for possível saber sobre seus homens públicos, para poder julgar melhor na hora de elegê-los. ‘

“Nos Estados Unidos, por exemplo, com freqüência homens públicos vêem truncada a carreira pela revelação de fatos desabonadores do seu comportamento privado. Não raro, a simples divulgação de tais fatos os dissuade de continuarem a pleitear a preferência do eleitor. Um nebuloso acidente de carro em que morreu uma secretária que o acompanhava barrou, provavelmente para sempre, a brilhante caminhada do senador Ted Kennedy para a Casa Branca – para lembrar apenas o mais escandaloso desses tropeços. Coisa parecida aconteceu com o senador Gary Hart; por divulgar-se uma relação que comprometia o seu casamento, ele nem sequer pôde apresentar-se à Convenção do Partido Democrata, na última eleição americana. ‘

“Na presente campanha, ninguém negará que, em todo o seu desenrolar, houve uma obsessiva preocupação dos responsáveis pelo programa do horário eleitoral gratuito da Frente Brasil Popular de esquadrinhar o passado do candidato Fernando Collor de Mello. Não apenas a sua atividade anterior em cargos públicos, mas sua infância e adolescência, suas relações de família, seus casamentos, suas amizades. Presume-se que tenham divulgado tudo de que dispunham a respeito. ‘

“O adversário vinha agindo de modo diferente. A estratégia dos propagandistas de Collor não incluía intromissão no passado de Luís Inácio Lula da Silva nem como líder sindical nem muito menos remontou aos seus tempos de operário-torneiro, tão insistentemente lembrados pelo candidato do PT.’

“Até que anteontem à noite surgiu nas telas, no horário do PRN, a figura da ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, acusando o candidato de ter tentado induzi-la a abortar uma criança filha de ambos, para isso oferecendo-lhe dinheiro, e também de alimentar preconceitos contra a raça negra.’

“A primeira reação do público terá sido de choque, a segunda é a discussão do direito de trazer-se a público o que, quase por toda parte, se classificava imediatamente de ‘baixaria’.

“É chocante mesmo, é lamentável que o confronto desça a esse nível, mas nem por isso deve-se deixar de perguntar se é verdadeiro. E se for verdadeiro, cabe indagar se o eleitor deve ou não receber um testemunho que concorre para aprofundar o seu conhecimento sobre aquela personalidade que lhe pede o voto para eleger-se Presidente da República, o mais alto posto da Nação.’

“É de esperar que o debate desta noite não se macule por excessos no confronto democrático, e que se concentre na discussão dos problemas nacionais.

“Mas a acusação está no ar. Houve distorção? Ou aconteceu tal como narra a personagem apresentada no vídeo? Não cabe submeter o caso a inquérito. A sensibilidade do eleitor poderá ajudá-lo a discernir onde está a verdade – e se ela deve influenciar-lhe o voto, domingo próximo, quando estiver consultando apenas a sua consciência.”

Marina Amaral procurou o atual diretor de jornalismo da Rede Globo, sendo informada pela secretária que ele só responde perguntas por escrito. Assim foi feito, seguiram quatro perguntas: 1. se havia chegado ao jornal O Globo, por ocasião das eleições de 1994, a informação de que grandes veículos estavam preparando matéria sobre o filho gerado de um romance entre Fernando Henrique Cardoso e Miriam Dutra; 2. se o jornal discutiu o assunto; 3. se cogitou de também preparar uma matéria a respeito; 4. e se o editorial “O direito de saber” havia sido escrito por ele, Evandro Carlos de Andrade. A resposta veio no dia seguinte, por fax, manuscrita e assinada:

“1. Não chegou ao meu conhecimento. As perguntas 2 e 3 estão prejudicadas.”

“4. Não me recordo – provavelmente não fui eu o autor, uma vez que escrevi poucos editoriais durante minha permanência no Globo.”

No mesmo dia, 20 de março último, Marina Amaral procurou, por telefone, outro diretor de redação, Otávio Frias Filho, da Folha de S. Paulo. Depois de explicar em detalhes a origem da reportagem – do artigo de Palmério Dória à foto interditada -, Marina perguntou a Otávio se a Folha cogitara fazer a matéria em 1994. Resposta:

“- Vou ter muita dificuldade em responder a contento porque a Folha considera que esse não é um assunto de interesse público, é um assunto de ordem afetiva, e a Folha não publica assuntos de ordem afetiva enquanto pelo menos uma das partes interessadas não se manifestar. Essa moça não se manifestou.”

“- Mas e o caso da namorada do Pitta, que vocês publicaram recentemente? Havia interesse público? “

“- A Folha não publica assuntos de ordem afetiva enquanto uma das partes não toma alguma providência jurídica ou não se manifesta publicamente, quando consideramos que o assunto não tem interesse jornalístico. No caso dessa moça que você está citando, não lembro o nome dela…”

“- Marlene Beteguelli, a secretária. E a Marina de Sabrit, que vocês também publicaram, com ela desmentindo…”

“- Pois é. Houve insinuações, mas não publicamos nada até que ela própria deu uma entrevista ao Jornal do Brasil, se deixou fotografar.”

“- Mas a notícia do filho do Fernando Henrique chegou à redação da Folha? Vocês pensaram em investigar, em procurar os dois?”

“- Havia fofocas de redação que circulam há muito tempo, mas não tivemos condições de investigar porque não tínhamos nem condições de afirmar se essas histórias eram verdadeiras.”

“- Posso dizer que a história do filho é verdadeira pelas investigações que fizemos. Inclusive falamos com a moça, que nos aconselhou a procurar a pessoa pública dessa história.”

“- Se você está me dizendo que é verdade, acredito, porque não tenho motivo para duvidar de você.”

“- Independentemente desse fato, você acha que a mídia tem tratado o presidente Fernando Henrique Cardoso com, digamos, condescendência? “

“- Independentemente disso? Sim.”

“- De que forma se manifesta essa condescendência? “

“- Acho que a mídia tem sido de todas as formas condescendente. Quando um presidente tem taxas de popularidade altas, a mídia acaba refletindo essa tendência. Foi assim com o presidente Sarney, com o Collor no primeiro ano de mandato, vem sendo assim com o Fernando Henrique pelo menos até o segundo semestre do ano passado quando suas taxas de popularidade caíram.”

“- A Folha acompanhou essa tendência? “

“- A Folha, salvo melhor juízo em contrário, tem se mantido numa posição mais autônoma, mais inquisitiva, mais incômoda mesmo. A Folha tem uma série de colunistas que manifestam uma posição contrária a essa simpatia da mídia. Essa simpatia é clara, tanto que ele próprio (o presidente) fez uma boutade no episódio dos grampos do BNDES dizendo que a mídia estava até exagerando no apoio. Agora, com relação a esse episódio desse suposto envolvimento de ordem afetiva, não é nossa política investigar. Isso envolve outros casos, há diversos precedentes, mas não consideramos esse um assunto jornalístico, de interesse público. É isso.”

Marina Amaral transcreveu o diálogo telefônico e enviou-o a Otávio, como pedira o jornalista. E acrescentou novas perguntas, que foram respondidas via e-mail pelo diretor de redação da Folha: “

“1. A Folha foi procurada pelo presidente ou por algum de seus assessores com o pedido de não dar ouvido a boatos a respeito do filho com a jornalista Miriam Dutra? “

” Não.”

“2. A Folha foi convidada a participar, juntamente com outros grandes veículos, de uma reunião com o presidente durante a campanha eleitoral de 1994? “

” Não. Embora tenha havido vários encontros jornalísticos entre representantes do jornal e o então candidato, alguns deles, possivelmente, com a participação de jornalistas de outros veículos. “

“3. A Folha sofreu alguma pressão no governo FHC em função de sua posição de independência?”

“Não, exceto queixas e reclamações, aliás freqüentes, de auxiliares do presidente, mas sempre dentro dos limites do que me parece legítimo numa democracia.”

Nesse mesmo e-mail em que dá resposta às perguntas complementares de Marina, Otávio comenta a transcrição do telefonema:

“A transcrição me parece OK, exceto pelo fato de que o discurso oral, quando transposto para o texto, sempre parece truncado e repetitivo. Imagino que você fará um copy para eliminar ou reduzir essa dissonância. “

“Dois detalhes: há uma resposta em que eu digo que ‘Havia fofocas de redação que circulam há muito tempo mas não tivemos condições de investigar porque não tínhamos nem condições de afirmar se essas histórias eram verdadeiras’. Devo ter me expressado mal. Quis dizer que não investigamos por não vermos legitimidade na pauta, conforme dito anteriormente. E que não sabemos sequer se esses fatos são verdadeiros. O porque não tem sentido na frase. “

“Outro detalhe: Sarney desfrutou de grande popularidade enquanto durou o Plano Cruzado. “

“É isso. Um abraço.”

Mylton Severiano também está empenhado na coleta de depoimentos. Marca uma conversa com Mino Carta na redação da Carta Capital, revista da qual Mino é o diretor. Começa com a mesma pergunta feita a todos: por que falam do filho deste e daquele, menos do filho de FHC com Miriam Dutra. Mino faz uma colocação e lembra de um episódio:

“A questão é pertinente. Eu saí da IstoÉ em agosto de 1993. Dois anos antes, o Fernando Henrique me liga na redação: “

‘Olha, Mino, está correndo uma história cabeluda, que enxovalha a mim e a minha família, por favor, se isso chegar aí, não dá nada, não publica não’. Eu disse ‘tá bom’, que esse tipo de coisa não me interessava mesmo. Eu nem sabia o que era.”

E conta a Mylton Severiano que perguntou ao pessoal da redação de IstoÉ, “Mas que história é essa que o Fernando Henrique me liga pra pedir que não publique?” E lhe disseram que vários jornalistas da IstoÉ tinham visto “os dois” no Piantella, nesses restaurantes de Brasília, às vezes em turma, às vezes a sós. E acrescenta:

“Eu, pessoalmente, Mino jornalista, tenho receio de tocar nesses assuntos. Mas, em relação a Pelé, Lula… Jesus Cristo, é legítimo, é pertinente propor a questão. Pelo fato em si. O caso do Lula era diferente. Estava viúvo, solteiro. E o Fernando Henrique é casado.”

Mylton cita o editorial do Globo sobre o direito de saber. Mino diz: “Uma das obrigações da mídia é fiscalizar o poder, inclusive a vida privada, particular. O perfil: tantos anos, é homossexual; se é grosseiro, quero saber. Se espancou a mulher, quero saber. Se dá em cima de mulher fora do casamento, quero saber. Agora, eu, como repórter, não me sinto bem com esse tipo de assunto.”

Mylton pede que Mino explique melhor por que disse ser pertinente a questão que estamos levantando. Resposta:

“Sim, a história do filho do Fernando Henrique você pode até perguntar se é verdade. Mas, sendo verdade, é pertinente querer saber por que não publicam. Como foi possível levantar aquela do Lula? Aquilo foi terrível. Completamente diferente. Ele estava solteiro, viúvo. Saía com a moça e, naturalmente, quando um homem sai com uma mulher, acabam fazendo o que todos sabemos. Ele não queria o filho. Foi uma desgraça. Agora, por que Lula e não Fernando Henrique? Por que Pelé e não Fernando Henrique? Existe? Então, por que não falar? Se é figura pública e dá em cima das mulheres, não sabe se portar. Vai envergonhar o país mais cedo ou mais tarde, se se torna figura representativa do país dele. Eu não estou falando dele, estou falando de qualquer um.”

Mylton lhe diz:

“Mas isto se aplica a ele, depois de tudo o que apuramos e todo mundo sabe.”

“Então…”, falou Mino, rindo irônico.

Depois de falar com Mino Carta, Mylton Severiano ia telefonar para outros dois jornalistas de publicações importantes. Conversas velozes. Primeiro com Celso Kinjô, editor-chefe do Jornal da Tarde, do qual Mino foi o fundador. Celso lhe disse que nunca pensaram em fazer matéria no JT. A posição da “casa” é não tocar em assuntos pessoais.

Uma ocasião um repórter levou uma foto do filho de Orestes Quércia e ela ficou na gaveta. A “casa” é escrupulosa em relação a esse tipo de assunto, não está escrito mas nem merece tratamento editorial. Disse também não lembrar qual foi o tratamento da “casa” com relação a Miriam Cordeiro, em 1989.

Depois, com Marcelo Pontes, alto escalão no Jornal do Brasil em 1994, fazia o “Informe JB”. Trabalha hoje no gabinete do Ministério da Fazenda. Mylton conta:

“- Foi perceptível ao telefone seu desconforto quando anunciei o assunto. Eu havia dito à secretária que falava em nome da Caros Amigos. Mas atendeu logo. Ficou repetindo: ‘94, 94, 94, que que eu fazia no JB? 94, 94, 94…’. Lembrou-se então de que fazia o “Informe”. Mas o jornal fez matéria?

- Mas eu não posso falar pelo jornal. Ouvi boatos – boatos, estou dizendo -, não tinha nenhuma prova. Nem considerei que esse assunto de vida pessoal fosse publicável.

“- Mas nós sabemos que outras publicações foram atrás.”

“- Ah, me parece que o JB publicou algo sim, feito pelo Maklouf. Tá bom? (louco para se livrar de mim)”

“Agradeci, um abraço, desliguei.”

Na penúltima semana de março, Palmério Dória foi ao Rio de Janeiro, tratar de outros assuntos profissionais com um grupo de jornalistas, do qual faz parte um colunista muito importante da imprensa carioca. Era uma sexta-feira, “dia do chamado ‘pescoção’ nos jornalões, quando os colunistas caçam notas a grito”. O colunista queria saber de Palmério se Miriam Dutra “abriu ou não abriu” (sobre a paternidade do menino), dizendo, depois de uma longa conversa, que ia dar uma nota em sua coluna no final de semana. Voltou a ligar mais tarde, perguntando quantos anos a Caros Amigos ia fazer.

Palmério procurou no jornal do sábado, do domingo e da segunda. Nada. Na tarde da própria segunda encontraram-se em mais uma reunião do grupo, à qual o colunista chegou dizendo, na frente de dois outros jornalistas: “Em dez anos de coluna, nunca passei por uma situação como essa!” E contou que alguém do alto escalão do jornal chegou a ele com a nota na mão e disse que ela só poderia sair com autorização do primeiro homem da empresa.

Faltavam poucos nomes para completar a lista de depoimentos de jornalistas, antes de Marina Amaral solicitar a audiência com a “pessoa pública”, com o que encerraríamos a reportagem.

Faltava falar com quem em 1994 dirigia o Diário Popular, de São Paulo, Miranda Jordão; com Ricardo Noblat, do Correio Braziliense; e com o chefe da sucursal da Folha de S. Paulo em Brasília, Josias de Souza.

Mylton Severiano liga para Miranda Jordão, hoje no jornal O Dia, Rio de Janeiro. O diálogo:

“- Alô. “

“- (Me identifico como da Caros Amigos, tudo bem? Tudo bem.) Estou trabalhando numa matéria sobre o filho do Fernando Henrique com a Miriam Dutra… “

“- Filho o quê? “

“- O Tomás Schmidt, filho do Fernando Henrique e da nossa colega Miriam Dutra. “

“- Não estou sabendo de nada. “

“- Bem, nós temos a informação de que o Diário Popular, em 1994, você estava lá, teria feito ou tentou fazer a matéria, através do Cláudio Humberto. “

“- Nunca. Não tínhamos relação alguma com o Cláudio Humberto. “

“- Bem, pode ser uma informação furada, mas você sabe da história, não? “

“- Não, nunca soube de nada. (cortante) “

“- Que interessante. Bom, se você nunca soube, está bem. Muito obrigado.”

Marina Amaral vai a Brasília, já telefonara de São Paulo cinco dias antes à procura de Ana Tavares, assessora da presidência da República. Tinha sido atendida por um dos membros da assessoria, Geraldo Moura. Sem adiantar o assunto, Marina disse que queria marcar uma entrevista com Ana. Geraldo se mostrou surpreso: “Entrevista com ela?” Mas respondeu que provavelmente não haveria problema e que daria um retorno.

Não deu. Assim que chegou em Brasília, no dia 22 de março, Marina localizou o cartório – o Marcelo Ribas, no Edifício Venâncio 2000 – em que fora registrado Tomás. Tinha o nome completo do menino, da mãe e a data e horário do nascimento, que a própria Miriam Dutra dera a João Rocha em Barcelona. Tirou a cópia, que é um documento público, pagando por ela 1,90 real.

Por telefone, depois entrevistou Josias de Souza, diretor da sucursal da Folha em Brasília.

“- Na matéria que estamos fazendo, percebemos que há um tabu referente ao assunto do filho do presidente Fernando Henrique com a jornalista Miriam Dutra. Argumenta-se que o assunto é privado, que não tem interesse jornalístico. Me chamou a atenção que você e o Gilberto Dimenstein tenham tratado disso no livro que escreveram sobre a campanha de 1994 (A História Real – Trama de uma Sucessão, editora Ática-Folha de S. Paulo). O assunto tem interesse jornalístico? “

“- Abordei esse assunto em ocasiões em que me pareceu claro o interesse jornalístico. Uma vez foi na própria Folha, na coluna da página 2, durante a campanha eleitoral de 1998. O PDT havia explorado o fato de forma eleitoreira no site do partido. Aquilo me pareceu jogo sujo de campanha. Fiz, então, uma analogia com outros casos, envolvendo inclusive chefes de Estado, como o Mitterrand. Fiz uma comparação com a cultura jornalística brasileira, a meu ver mais evoluída nessa matéria. Nos Estados Unidos, por exemplo, qualquer bobagem sexual relacionada a presidentes e candidatos é supervalorizada pela mídia. Acho que esse tipo de assunto só deve ser abordado quando há relevância jornalística. Como no caso do PDT, que decerto tentou reeditar procedimento sujo utilizado antes por Collor, na disputa contra o Lula. No livro que escrevi com o Gilberto, o assunto veio à tona porque descobrimos que a dona Ruth Cardoso havia se isolado em Nova York pouco antes de Fernando Henrique decidir se seria ou não candidato à presidência. Um dos motivos que fizeram com que ela se isolasse foi o receio de que esse caso fosse explorado durante a campanha eleitoral. Entendemos que não havia por que evitar o assunto. Decidimos dar a ele o tratamento jornalístico que julgamos adequado. “

“- Mas a Folha diz que não trata de assuntos de ordem privada… “

“- Veja, a posição da Folha é que essas questões têm de ser tratadas à luz do interesse jornalístico. Um bom exemplo é o caso do namoro do Bernardo Cabral e da Zélia, dois ministros de Estado, em que um liberava verba para o outro, ou seja é assunto de interesse público. A vida privada de um político tem relevância se de algum modo passar a interferir na sua atividade como homem público. “

“- Mas e a filha do Maluf, as namoradas do Pitta? “

“- Não há uma fórmula. Há uma linha geral, um princípio a ser observado. A publicação depende da análise de caso a caso. A filha do Lula foi transformada em assunto jornalístico pelo Collor. O tema dos supostos relacionamentos extra-conjugais do Pitta vieram à tona graças ao rompante de Nicéa. “

“- No caso da Miriam Dutra, vocês investigaram, falaram com ela? “

“- Falamos com várias pessoas que tinham relação com o fato. Para nós, era relevante checar a veracidade da história. “

“- E vocês conseguiram apurar? “

“- Isso foi apurado, sim.”

Marina só conseguiria falar com Ricardo Noblat, o último da lista, depois da volta a São Paulo. Por telefone.

“- Estamos fazendo uma reportagem sobre as relações da mídia com o presidente Fernando Henrique Cardoso… “

“- Eu soube. É boa reportagem. Me diz uma coisa, a moça confirmou? “

“- Nós falamos com ela e tentamos falar com o presidente. Você assumiu a direção do Correio em fevereiro de 1994? “

“- É, fevereiro de 94. “

“- E nunca ouviu falar de um filho de Fernando Henrique fora do casamento?”

“- Eu ouvi esse assunto por aí. Depois fiquei sabendo que a Veja tinha ido conversar com o presidente e com a jornalista, apurado nas duas pontas, e que ambos negaram. Aí, como não tinha prova, não tinha por que apurar, tanto que a matéria da Veja não foi publicada. Se você tivesse uma outra prova, poderia ser. Em mesa de bar, jornalista comenta… “

“- Você leu o livro publicado no final de 1994 pelos jornalistas Josias de Souza e Gilberto Dimenstein? “

“- Confesso que não. Por quê? Ali conta? “

“- Conta. Na parte em que comenta que dona Ruth se isolou em Nova York, lembra? “

“- Acho que lembro, sim, o Fernando Henrique foi falar com ela. Mas conta mesmo? Não estou me fazendo de bobo, é que eu não sabia mesmo. Você falou com eles? “

“- Falei com o Josias, ele confirma o que escreveu. “

“- Confirma? E por que a Folha não publicou? “

“- Porque considera assunto de vida privada. Você publicaria? “

“- Mas eles falaram da filha do Maluf, das namoradas do Pitta… Aqui em Brasília, um jornal evita muito entrar na vida pessoal, a não ser que vire um fato supercomentado. A gente não publica nem fitas, aqui temos um código de ética muito rigoroso. Mesmo aquelas fitas grampeadas que todo mundo deu, a gente só deu depois de uns dias para explicar para o leitor ‘está ocorrendo uma crise por causa de umas fitas’… e diz o teor; nós nem publicamos aquelas transcrições que todo mundo publicou. Mas a Folha disse o quê? “

“- Nada muito diferente do que você disse, assunto de vida privada. Você acha que o fato de um presidente ter um filho fora do casamento é um assunto jornalístico? “

“- Mas aí você está fazendo uma afirmação que eu não posso comentar. “

“- Não estou fazendo uma afirmação, estou fazendo uma pergunta. “

“- Não, eu não posso responder isso em tese porque sei de que tese você está partindo. Não posso falar de um fato que eu não apurei, não que esteja duvidando de você, mas aí eu não posso. “

“- Está bom, Noblat, muito obrigada. “

“- Obrigado, eu. Boa noite.” “

Marina não conseguira uma entrevista com Ana Tavares, muito menos uma audiência com o presidente. Eis o esperado mas curioso anticlímax da reportagem, narrado por ela:

“No dia 22 de março, já em Brasília, liguei novamente para Ana Tavares e novamente Geraldo Moura me atendeu. ‘Marina, fui eu que falei com você a outra vez. Você queria conversar com a Ana, né? Infelizmente não vai ser possível porque a agenda dela está uma loucura, ela nem tem vindo aqui, porque está preparando uma viagem do presidente’. ‘Mas nem por telefone, dez minutinhos?’ ‘Não, está impossível mesmo. Mas você pode falar comigo, eu também faço parte da assessoria da presidência’.

“Explico então que estamos dando uma matéria que fala das relações do presidente Fernando Henrique com a mídia analisando o episódio do filho dele com a jornalista da Globo, Miriam Dutra, e acrescento que estou cumprindo minha obrigação como jornalista, já que a própria Miriam havia nos dito que procurássemos a pessoa pública dessa história. E explico: ‘É por isso que preferia falar com a Ana Tavares pessoalmente, é um assunto delicado’. Ele responde, efusivo: ‘Não, nem tem problema, essa história surge periodicamente desde 1983…’ Pondero que em 1983 o garoto nem tinha nascido. Ele corrige: ‘Não, 1993, desde que entrei aqui. Nós temos uma orientação sobre isso, mas nesse caso vou falar com o presidente e depois telefono para você’, diz, simpático.

“Uma hora depois ele me liga, o tom de voz completamente mudado. Bastante seco, diz: ‘Nós desconhecemos esse assunto’. Pergunto se essa é a resposta da assessoria ou do presidente. Ele: ‘Não se pode falar com o presidente sobre esses assuntos através da assessoria porque a assessoria só trata de assuntos institucionais da presidência’. Pergunto então com quem devo falar para que minha pergunta chegue ao presidente. A resposta: ‘Cabe a você, como r

Mais um golpe contra as rádios comunitárias

Operação da Polícia Civil de Hortolândia (SP) fecha Rádio Comunitária Manancial
Por Gabriela Moncau
Às vésperas da realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, marcada para o período de 14 a 17 de dezembro, aparelhos do Estado enrijecem a repressão às rádios comunitárias. Desde setembro, mais de 17 rádios comunitárias foram fechadas pela Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) no Estado de São Paulo. Entre elas estavam a Nova Opção FM, Cinderela FM, Estrada FM, 107.7, 102, 102.9. Em julho, a Rádio Heliópolis – maior de São Paulo e no ar desde 1995 – foi fechada pela PF na operação Sintonia I.
Na manhã dessa quinta-feira, 26, a Rádio Comunitária Manancial foi fechada em operação da Polícia Civil de Hortolândia (SP). A ação, realizada sem mandado judicial, além de apreender todos os equipamentos da Rádio, deu ordem de prisão ao coordenador-regional da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), Jerry Oliveira, e à Djanira Ângelo, que responde pela Rádio Manancial. Segundo Oliveira, o delegado responsável pela operação, Jesus Roberto de Carvalho Júnior, não aceitou se identificar até a chegada do advogado na Delegacia de Hortolândia.
De acordo com Bia Barbosa, do coletivo Intervozes, a ação é irregular, pois além de não estar embasada em uma ordem judicial, foi operada pela Polícia Civil, quando constitucionalmente os casos que envolvem radiodifusão são de competência da Polícia Federal. Ao ser questionado, o delegado Jesus de Carvalho declarou que, por ter sido uma denúncia e a rádio estar sendo operada no momento em que a Polícia chegou, o caso é considerado flagrante delito. “O flagrante pode ser feito tanto pelo Polícia Civil quanto pela Militar e Federal. Fiz a comunicação à Polícia Federal alocada em Campinas, e remeterei o inquérito e os equipamentos a eles. Não há nenhuma infração” afirmou.
Segundo ele, além disso, qualquer investigação relacionada à radiodifusão pode ser feita pelas polícias estaduais, desde que, se não for flagrante, seja repassada para a PF. Djanira Ângelo e testemunhas negam que a rádio estava em operação no momento em que a polícia chegou.Para Jerry Oliveira, o sistemático processo de perseguição da ANATEL, com apoio do Estado e das forças policiais às rádios comunitárias “tem sido um gravíssimo ataque aos movimentos que lutam pela democratização dos meios de comunicação no Brasil e trata-se de uma violação do direito humano à comunicação da comunidade”.
Concomitante a tais operações, a Associação Brasileira de Radiodifusão (ABRA), entidade que engloba o Grupo Bandeirantes, Telebrasil, RedeTV e afiliados, declarou que participará da Conferência Nacional de Comunicação para garantir que a lei seja posta em prática e para “inviabilizar as rádios piratas”. Lei essa que curiosamente não é posta em prática no que diz respeito às concessões de rádio e TV, liberdade de expressão e de produção cultural. A criminalização de rádios comunitárias, enquanto grandes empresas de comunicação se esbanjam com o cruzamento de propriedades dos veículos de comunicação, explicita a fragilidade da “democracia” do nosso país.
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